quarta-feira, agosto 01, 2007

Na terra do barro vermelho, à procura de um ponto de táxi....

Numa daquelas coincidências que mais parecem sinais do além, hoje - dia em que tirei a hora do almoço para reconhecer firma do meu contrato de aluguel e finalmente deixar de "estar em Brasília", para passar a "morar em Brasília" -, essa terra de barro vermelho me pregou uma peça. A prendi, a muito contra-gosto, que em Brasília, simplesmente, não tem como se pegar um táxi na rua.

Eram umas 13h20 quando deixei o cartório, na W3, uma das avenidas mais movimentadas da cidade – algo como a Domingos Ferreira de Recife - , e começei a procurar um ponto de táxi pra comer um almoço xexelento antes de correr de volta pro trabalho. Depois de dez minutos andando, e vendo um monte de táxis ocupados passarem por mim, resolvo pergunta a um casal de transeutes: "Gente, onde diabos tem um ponto de táxi por aqui?". "Ah, aqui não tem ponto de táxi, não. Só nas comerciais. Porque vc não liga e pede um?", respondem. Eu agradeço a informação e respondo, em mais uma das minhas atitudes tipicamente arrogantes, que não vou pedir não porque acredito que achar um táxi vai ser mais rápido do que chamar um. Pensei comigo, claro, eles TINHAM que ser mais desinformados do que eu, afinal, em TODA grande avenida, de TODA cidade grande, tem ponto de táxi.

Andei mais duas quadras (ao pernambucanos não familiarizados com as nomenclaturas de BSB, uma quadra não é um quarteirão. Quadra é um conjunto de quarteirões). E nada do tal ponto. Resolvo mais uma vez perguntar: "Peloamordedeus, onde diabos tem um ponto de táxi por aqui?", dessa vez a uma menina sentada na parada de ônibus. E a resposta dela é a mesma dos casal de antes: "aqui não tem ponto de táxi não, só nas comercias. Porque vc não pede um?". Há essa altura do campeonato, eu já tava andando há uns 20 minutos, de salto alto (é, em Brasília não dá pra ir trabalhar maloqueira não, eu preciso me fantasiar de assessora técnica), em cima de umas calçadas piores do que o calçadão de boa viagem, com meus pés me matando, debaixo de um sol esquisito que não é nem quente, nem frio. Então resolvi dar o braço a torcer. Mas, só mais ou menos. Segui parciamente os conselhos candangos e entrei na primeira quadra comercial à esquerda.

No entanto, o enredo não podia ser tão simples e, claro, a saga se intensificou. Mesmo estando nuam comercial, cheia de restaurantes e lojas pra tudo que é lado, nada de ponto de táxi. Pergunto ao manobrista de um desses restaurantes: "moço, me ajuda, tô andando já tem quase meia hora. Me diz, por favor, onde diabos tem um ponto de táxi???" e ele me responde calmamente: "não tem. Só vai ter mais lá pra frente, na entrequadra. Porque a senhora não pede por telefone?".

Há essa altura eu já tava papagaio de urubu e xingando a oitava geração de brasílienses, ou seja aqueles ainda nem gerados. Mas, teimosa que nem uma mula como sou, respondi que iria andando até a tal entrequadra "porque seria mais rápido chegar lá do que pedir um taxi à uma central".

Ao chegar na entrequadra, avisto quatro táxis parados, e fico toda contente com a minha vitória. Mas ao me aproximar deles e vejo que não tem ninguém dentro de nenhum deles. Mais na frente, vejo um quiosque, com placa de central de táxi enorme pintada nele todo. E dentro dele, dois homens comendo uma marmita. Bato lá e pergunto se eles são os motoristas do táxis parados do lado de fora. E eles me respondem: "sim". Eu pergunto se podem me atender e a resposta é simplesmente: "Não. Estamos almoçando". Eu, então, pergunto se eles sabem onde estão os motoristas dos outros dois táxis estacionados e mais uma vez a resposta é "não". Não me contentando com pouco, me arrisco a fazer mais uma perguntinha: "será que vcs podem me chamar um táxi, já que não estão disponíveis". E advinha? Mais um não!. "Moça, aqui não é uma central, é apenas um ponto, não temos como chamar ninguém, a não ser pelo rádio lá fora dentro dos taxis, e como já te disse, estamos almoçando". E eu fico lá, com cara de paisagem, sem saber porque seria tão dificil um deles darem 10 passos e pedirem um taxi pelo radio.

Então, e só então, me rendo. Trinta e cinco minutos, seis quadras e dois calos depois, ligo pra uma central e peço um taxi.

Moral da história? Ana, deixa de ser besta e aprende logo que Brasília é mais teimosa do que você